O que fazer com a Selic a 7% ao ano?

O esperado aconteceu. O COPOM anunciou o corte da taxa Selic para 7%. Menor patamar da taxa desde 1999, ano em que o Bacen passou a divulgar metas para a taxa.

Notícia, a princípio boa para o país, já que o objetivo da redução da taxa de juros é estimular a economia, porém, assustadora para boa parte dos investidores.

Mal acostumados com os famosos “1% ao mês”, os investidores terão que se acostumar agora com não tão atraentes 0,56% ao mês.

Basicamente, o investidor individual brasileiro investe em quatro grandes classes de ativos: renda fixa, ações, fundos imobiliários e fundos multimercados.

Como elas ficam com o novo patamar da taxa Selic?

Renda fixa pós-fixados

Bem, estes vão render menos mesmo.

Se você está acostumado com a baixa volatilidade destes títulos e os retornos expressivos do passado, desacostume-se. A volatilidade continuará baixa, mas o retorno cai.

Tesouro Selic, CDBs, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs pós-fixados renderão menos e em patamar próximo aos 7% ao ano.

Se você quiser mais rentabilidade terá que buscar os títulos privados com maior risco de crédito e maior prazo de carência, mesmo assim não espere nenhum milagre. Um título que prometer 120% do CDI renderá cerca de 8,4% ao ano, por exemplo.

Renda fixa prefixada

A tendência também é de que as taxas caiam, para buscar taxas pré próximas aos 10% ao ano, você terá que buscar títulos com prazos mais longos com vencimento em 2023.

Lembro que os títulos negociados no Tesouro Direto são marcados a mercado, logo, você pode ver certa volatilidade nos títulos prefixados. Ou seja, você pode ver momentos de rentabilidade negativa, mas carregando o título até seu vencimento tudo estará bem e você receberá a taxa negociada na compra.

Renda fixa inflação

Aqui ainda vemos taxas reais atrativas, ainda acima dos 5% ao ano, principalmente nos títulos mais longos (vencimentos de 2035 em diante).

OS títulos mais negociados desta categoria são os Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais.

Porém, muito cuidado. Se você comprar um destes títulos esperando o mesmo comportamento de títulos pós-fixados DI, você terá fortes emoções. Títulos atrelados á inflação, principalmente os mais longos, são muito voláteis. Por momentos quase tanto quanto/ ou até mais voláteis que ações.

Na parte mais curta da curva, você pode tentar buscar uma rentabilidade maior via debêntures incentivadas. Mas como não há almoço grátis, aqui você aumenta seu risco de crédito. Então, escolha com cuidado.

Fundos multimercados

Essa classe é muito ampla, você encontra aqui uma série de estratégias diferentes.

Boa parte dos investidores acabam escolhendo estes fundos com base em rentabilidade passada. Isso não é nada bom.

Não vou me atrever a indicar aqui qual das categorias de multimercado ou qual fundo irá se sair melhor neste cenário. De qualquer maneira, acredito que há boas oportunidades ainda entre os fundos multimercados e eles são uma boa forma de se aumentar o risco de uma carteira visando uma maior rentabilidade.

Tenha apenas em mente que para buscar 10% ao ano, você terá que investir em fundos que tenham como objetivo retornar, pelo menos, 140% do CDI.

Em fundos com este perfil é comum haver alguns meses com rentabilidade negativa ao longo do ano. Se você quiser buscar os sonhados 1% ao mês, você terá que buscar um fundo com objetivo de retornar pelo menos, 180% do CDI. Nestes fundos, meses de rentabilidade negativa são praticamente certos.

Fundos imobiliários

A classe se beneficiou bastante com a trajetória de queda da taxa Selic. A valorização dos fundos imobiliários nos últimos meses foi significativa.

O yield médio, a relação entre os juros pagos e o valor das cotas dos fundos, está na casa dos 6,5% ao ano. A classe continua sendo bastante interessante do ponto de vista de geração de renda.

Quanto à continuidade da alta de preços acentuada, esta pode ter seu ritmo diminuído no curto prazo.

A melhora das condições econômicas pode ainda sustentar parte desta alta por conta da queda das vacâncias, mas o play de juros parece já estar bem precificado na grande maioria dos FIIs.

Ações

Mercados próximos às máximas históricas apresentam uma característica interessante: assustam vários investidores e atraem outros tantos.

No longo prazo, a bolsa tende a subir quando os juros caem. No curto prazo a relação não é tão direta.

Se levarmos em conta o fato de que estamos às vésperas de uma das corridas eleitorais mais imprevisíveis de todos os tempos, apenas uma coisa parece certa: volatilidade.

A provável oscilação do preço das ações no próximo ano pode apresentar ótimas oportunidades de compra para aqueles mais frios e calculistas. Se você tem perfil e aceita risco, mas não se considera um exímio selecionador de ações, sugiro que forme uma carteira com alguns fundos de ações. Existem diversas gestoras muito competentes neste quesito no Brasil.

Conclusão

Em suma, a queda da taxa de juros tende a reduzir o retorno esperado de todas as classes de ativos no longo prazo. No curto prazo, algumas podem se beneficiar, em especial aquelas com mais risco envolvido.

Neste cenário, o investidor deve se acostumar com retornos mais baixos e passar a poupar ainda mais para atingir seus objetivos. A alternativa para aqueles que queiram retornos maiores é correr mais riscos. Não há saída.

Porém, para correr mais riscos você deve antes entender o que é risco, entender quais são os riscos de cada classe de ativo e dos ativos específicos que deseja e comprar e, talvez até mais primordial, entender como você se comporta quando o lado negativo do risco aparece.

Essa é a grande reflexão que você deve fazer antes de se arriscar em busca de maiores rentabilidades.

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