O caminho importa – Entenda o risco de ruína e o risco de trajetória

“A rentabilidade média do mercado de ações norte americano é de 9% ao ano.”

“A rentabilidade real média da ação WXYZ3 foi de 20% ao ano”

É comum termos a ilusão de que se sabemos o retorno médio do mercado de ações ou de algum ativo específico, conseguiríamos ter, necessariamente, tal retorno replicado em nossas carteiras de investimentos.

Apesar de parecer lógica essa premissa, ela não é verdadeira. Pelo menos, não em todos os casos.

A trajetória de seus investimentos, em especial de seus aportes e resgates, interfere diretamente no seu resultado final.

Risco de trajetória

Ok! Se você fez uma compra única de uma ação ou fundo e nunca mais mexer nesta ação, você possivelmente terá o retorno médio da mesma. Entretanto, isso é um caso absolutamente teórico para a maioria, se não, todos nós.

O mais é comum é irmos montando nossa carteira aos poucos, por meio de aportes mensais e/ou alguns aportes esporádicos maiores. Além disso, existem os resgates, que podem ou não ser planejados.

De qualquer maneira, planejados ou não, você nunca saberá como estará sua aplicação no momento daquele resgate. Você pode dar a sorte de precisar do dinheiro num momento em que o mercado andou a seu favor e, consequentemente, precisará vender uma parte menor de seu ativo para levantar o capital ou, então, o oposto pode ocorrer e em um momento adverso de mercado você precisará se desfazer de uma parte maior de seu patrimônio para levantar o mesmo capital.

Entender que um resgate em momento inoportuno pode mudar o destino de seus investimentos é fácil. Agora, entender que pessoas com a mesma poupança mensal, que aplicaram no mesmo ativo, com a mesma média de retornos mensais, pelo mesmo prazo, porém em momentos diferentes, podem ter resultados finais totalmente discrepantes é um nó na cabeça de muitos.

Neste artigo, o autor mostra o caso de três investidores que aplicaram, mensalmente, R$ 1.000,00, no fundo de previdência de sua empresa, que por sua vez comprava ações.

Os três fizeram isto por 30 anos. Os três tiveram um retorno médio de 10,1% ao ano. A única diferença entre os três foi a seguinte: o primeiro começou em 1970 e desinvestiu em 2000; o segundo começou em 1975 e desinvestiu em 2005 e o terceiro começou em 1984 e sacou tudo em 2014.

Enquanto o primeiro investidor sacou R$ 8.770.000; o segundo sacou R$ 6.868.000,00 e o terceiro sacou 2.938.000,00. Como pode isso?

A explicação é a trajetória do mercado nos diferentes períodos de investimento de cada indivíduo. Enquanto o primeiro pegou um mercado “ruim” nos primeiros anos de aplicação e um mercado “bom” nos últimos anos; o terceiro pegou um mercado “bom” nos primeiros anos de investimentos e “ruim” nos últimos anos.

Reforço: vale a leitura do artigo. Lá estão todos os números e você conseguirá entender este ponto em detalhe.

Risco de ruína

Outro aspecto do risco de trajetória é o risco de ruína. Ou seja, o risco de você sofrer uma perda de tal magnitude no meio do caminho que fará com que você não consiga se recuperar e voltar para o jogo.

Olhar para médias históricas é uma ótima forma de ser vítima do risco de ruína. Veja o exemplo a seguir.

100 pessoas vão ao cassino, todas até a 45ª pessoa ganham dinheiro. A pessoa número 46 perde todo seu dinheiro. Todas as seguintes continuam ganhando dinheiro. Na média, mesmo se descontarmos o resultado daquele que perdeu tudo você pode afirmar que o retorno esperado de ir ao cassino é positivo.

Entretanto tudo muda de figura se um dos apostadores passar a ir ao cassino todo o dia. A chance é enorme de que, em algum momento, nos próximos 100 dias, ele perderá todo seu dinheiro. Dessa forma, se isso ocorrer, digamos, no dia 35, não haverá um dia 36 e assim por diante.

Este é o risco de ruína. Mesmo que, na média, seu retorno esperado seja positivo, caso você passe por um evento que te tire do jogo, você não terá a possibilidade de observar essa média na sua carteira.

Neste artigo, mostrei alguns trechos em que grades gestores de fundos brasileiros explicam isso de forma prática: evite grandes erros e saiba que no longo prazo isso é uma enorme vantagem.

Eu sugiro também a leitura deste artigo do Taleb, de onde tirei este exemplo. Se preferir, você pode assistir a esta palestra. O exemplo está no minuto 55 do vídeo.

Mercado bom ou ruim?

A sorte tem seu papel na acumulação financeira, é fato. A forma como o mercado se desenrola ao longo dos anos impacta o valor final de capital. Porém, você não tem controle nenhum sobre isso.

O conceito de mercado “bom” e mercado “ruim” também muda de figura tendo o risco de trajetória em mente. O mercado aparentemente “ruim”, que está em queda, pode ser muito bom se você estiver no início ou metade de sua fase de acumulação. Já um mercado “bom”, aquele que só sobe, pode não ser tão bom assim se você estiver no começo de sua acumulação e for seguido por sucessivos anos de mercado em queda que perdurem até sua aposentadoria.

O fato de você não controlar esta trajetória, não deve te desanimar, pelo contrário, ela é um lembrete de que devemos ser humildes em nossa capacidade de prever o futuro e que devemos nos concentrar apenas naquilo que temos controle: nossa capacidade de poupar e a disciplina para transformar esta capacidade em poupança efetivamente.

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