Não chute o balde! Uma Teoria “mais” Moderna de Portfólio

Investir definitivamente não é uma atividade fácil, se assim fosse, com absoluta certeza todos o que investem estariam no mínimo ricos, não haveria uma infinidade de profissionais dedicados a entender e aprender cada vez mais sobre este tema.

Uma prova real de que aplicar nossas economias da melhor maneira realmente não é tarefa fácil é este estudo. O mesmo mostra como investidores sejam eles institucionais ou individuais apresentam consistentemente desempenhos bem abaixo dos principais índices de mercado no longo-prazo.

Acredito que você, após ter dado uma olhada nos números, deve estar se perguntando o motivo de tamanha discrepância de resultados entre investidores e seus benchmarks.

A resposta, infelizmente, permanece a mesma para a maioria dos casos: os investidores tendem a vender na baixa e comprar na alta, quando praticamente todos os manuais em finanças e os maiores investidores de sucesso nos recomendam fazer justamente o oposto.

A teoria moderna nos ensina a montar um portfólio alinhado com nosso horizonte financeiro de longo-prazo, este portfólio, por sua vez, deve estar preparado para sobreviver às idas e vindas dos mercados.

No entanto, é extremamente difícil passar ileso e consciente dos seus objetivos por anos tortuosos de crise como os recentes anos de 2014/15 no Brasil e 2008/09 no mundo, especialmente para aqueles investidores mais próximos da aposentadoria que acabam entrando em pânico em momentos como esses.

Se uma pessoa entra em pânico durante uma crise e liquida suas posições de longo-prazo, faz com que infelizmente essa mesma pessoa obtenha um retorno muito inferior ao que ela realmente precisaria para cobrir suas despesas futuras.

Percebe-se que, apesar dos infindos bons conselhos, um comportamento irracional e altamente prejudicial é observado pela maioria das pessoas na prática.

Neste artigo discutiremos a respeito de uma estratégia, que por sinal é uma das premissas utilizadas nos planejamentos financeiros realizados pela Guide Life. Estamos falando das estratégias dos baldes (ou potes).

Entendendo a estratégia dos baldes

Esta estratégia pode ajudar bastante os investidores a mitigar os riscos de momentos de irracionalidade nos ciclos de mercado, apesar de ser uma estratégia antiga, seus primeiros insights formais datam de artigos do Nobel de economia James Tobin escritos em 1958.

Tentaremos primeiramente explicar o embasamento teórico da estratégia dos baldes pela ótica da Moderna Teoria do Portfólio.

De acordo com esta última teoria, o ponto ótimo do portfólio de investimentos deve ser representado pelo encontro da fronteira eficiente (Curva A), formada pelos ativos com o melhor retorno para um dado nível de risco, e a curva de utilidade do investidor (Curva B). Este ponto é considerado o melhor ponto da relação risco-retorno para um dado investidor.

Chamaremos a figura 1A de Portfólio Total, aquele único portfólio responsável por atender a todas as necessidades ou objetivos do investidor. Um investidor pode alcançar diferentes objetivos a estando vendido ou comprado, de acordo com a reta de alavancagem.

Na prática, no entanto, investidores individuais raramente agem desta maneira objetiva conforme prevê o comportamento esperado pela MTP. Sendo assim, talvez seja mais interessante pensar que na verdade investidores exploram oportunidades ao longo da fronteira eficiente tendo uma série de diferentes curvas de utilidades programadas para atender uma série de objetivos, chamemos estas diferentes curvas de baldes.

Dividir o portfólio total em baldes, ou diferentes soluções de propósitos específicos, (figura 1B) parece ser definitivamente uma maneira mais eficiente de melhorar a curva de utilidade dos investidores, pois se identificam separadamente quais são suas preferências específicas e adequam a essas mesmas especificidades a um nível de risco e retorno.

Como já afirmamos em outras oportunidades, objetivos podem ser mais bem definidos e explicados para um investidor de primeira viagem, do que o conceito esotérico de curvas de indiferença, conceito dominado na maioria das vezes pelos economistas mais experientes.

Explicando desta maneira, por meio de baldes, investidores passam a ter demandas mais complicadas do que aquelas respondidas por um simples e engessado questionário de risco-retorno. O fator comportamental, do ponto de vista das aspirações, entra em cena na estratégia de investimentos.

Apesar das facilidades explícitas da estratégia dos baldes, uma pesquisa da Financial Planning Association (FPA) de 2011 revela que cerca de três quartos dos planejadores financeiros americanos utilizam o viés do portfólio total, com uma única curva de utilidade.

A estratégia dos baldes na prática

Para aplicar a estratégia dos baldes, o ideal é que os baldes de portfólios sejam limitados pelo horizonte de tempo, desejado para se atingir o objetivo final dos investimentos daquele balde, e pelo nível de risco aceitável pelo indivíduo para aquele mesmo objetivo.

Um exemplo para um investidor que já se encontra na fase de aposentadoria, ou seja, que já esteja em uma fase de desinvestimentos de sua carteira, é o seguinte:

Balde um: recursos que serão gastos ao longo dos próximos 10 anos devem ser investidos em um balde de viés conservador, como uma aplicação 10/90% de renda variável e renda fixa respectivamente, ambos com baixa volatilidade.

Balde dois: recursos que serão gastos após os primeiros 10 anos e antes do vigésimo ano, devem ser investidos em um portfólio de viés moderado, uma alocação 50/50% parece sensata para o balde dois, admitindo ativos com mais riscos em ambas as classes do que aqueles previstos para o balde dois.

Balde três: recursos a serem gastos daqui a 20 anos em diante podem ser investidos uma carteira de crescimento, por exemplo, admitindo ações de empresas de menor porte de futuro mais promissor, podemos para este último balde admitir uma alocação na proporção 80/20%.

O mix dos baldes se aproximaria da proporção de portfólio total de alocação média do tipo 50/50%, no entanto, as alocações que compõem este mix, via estratégia dos baldes, possuem um propósito específico.

É claro que as proporções apresentadas nos três baldes acima são uma mera ilustração e não uma recomendação, além disso, a estratégia dos baldes quando aplicada deve respeitar a tolerância ao risco de cada investidor, tolerância esta que envolve sua propensão e sua capacidade para correr riscos.

Investidores deverão trabalhar em conjunto com seus planejadores financeiros com o objetivo de customizar cada estratégia (balde), que deve ser específica ao máximo a situação de cada indivíduo, isto é, bem aderente a suas necessidades de gastos e objetivos.

Considerações finais

Ao segregar os investimentos por tempo e risco, você estará fazendo as contas mentais de seus portfólios, que reagirão de forma mais racional aos ciclos ruins de mercado, pois cada um dos baldes segue um propósito específico, um tempo definido para resgate, uma ordem de resgate, uma sensibilidade distinta aos momentos de crise, bem como um tempo diferente de recuperação aos valores antes da crise.

A estratégia dos baldes pode ser relativamente nova para investidores individuais, no entanto, a mesma não é incomum no mundo dos investidores institucionais. Seguradoras, fundos de pensão e outras organizações se fazem valer desta estratégia visando principalmente um controle mais previsível do passivo de suas carteiras e maior cumprimento de suas metas atuariais.

Ao utilizar a estratégia dos baldes em seus investimentos você estará ajudando você mesmo a se manter confiante principalmente nos momentos de queda dos mercados.

Conte com a Guide Life para ajudá-lo com seus investimentos.

Agende sua Orientação Financeira Gratuita clicando abaixo:

0 comments on “Não chute o balde! Uma Teoria “mais” Moderna de PortfólioAdd yours →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *