Você sabe a diferença entre risco e incerteza?

Não se preocupe! Não terei a petulância de dar a minha versão sobre um assunto tão complexo quanto este.

Neste artigo, tiro proveito da enorme facilidade de acesso à informação que temos nos dias atuais e faço um breve resumo sobre o que dois craques falam sobre este assunto: Nassin Nicholas Taleb e Gerd Gigerenzer.

Se você quer a versão completa sobre este e diversos outros assuntos que dele derivam, não deixe de assistir este vídeo no YouTube. Uma hora e meia de discussão de altíssimo nível sobre risco e incerteza, complexidade e simplicidade.

O psicólogo alemão, Gerd Gigerenzer, faz uma clara distinção entre risco e incerteza. Segundo Gigerenzer, risco ocorre quando múltiplas alternativas são possíveis e conhecemos todas aquelas consideradas relevantes, suas consequências e as probabilidades das mesmas ocorrerem. Isso ocorre, por exemplo, em jogos de cartas. Para este problema o pensamento estatístico é útil.

A incerteza ocorre quando não conhecemos todas as alternativas, suas consequências e suas probabilidades. Ou seja, a maioria das atividades humanas se encaixa no mundo das incertezas, inclusive, os investimentos. Neste cenário, a intuição e heurísticas se saem melhor que o pensamento estatístico.

No excelente livro “A lógica do Cisne Negro”, Taleb nos apresenta dois países: o Extremistão e o Mediocristão. No Mediocristão tudo acontece respeitando a Curva de Gauss, a famosa distribuição normal. Neste país, as leis estatísticas funcionam perfeitamente para a tomada de decisão. Já no Extremistão, eventos extremos ocorrem em frequência muito maior que a esperada pelas “leis” da estatística. A incerteza domina e o pensamento estatístico não só não funciona como atrapalha quem toma decisões baseado nele. É uma forma de, por meio de uma analogia, explicar o que Gigerenzer nos mostra em sua apresentação.

Taleb defende que vivemos no Extremistão, mas a grande maioria das pessoas toma decisões como se vivesse no Mediocristão. Principalmente, segundo ele, os economistas.

Nesta versão mais curta de sua palestra, Gigerenzer destaca que decisões tomadas sob a influência de incertezas não são iguais a decisões tomadas sobre risco.

Heurísticas não devem ser tratadas como a segunda melhor alternativa em cenários de incertezas. Elas se saem melhor tanto em relação ao tempo que se leva para tomar a decisão quanto em relação ao percentual de acertos. Ou seja, em um mundo de incertezas, menos é mais.

Modelos até podem ser usados neste último caso, como já mostrei aqui, porém não devem ser entendidos como verdades absolutas. Mais ainda, tanto Taleb quanto Gigerenzer concordam que quanto mais complexo for o modelo, pior ele se sairá em um mundo de incertezas.

Algo bastante contra intuitivo para a maioria das pessoas, em especial, na indústria financeira onde a complicação é quase uma norma. Para Taleb, pedir conselhos para sua avó é muito mais útil e seguro.

Pedir conselhos para sua avó é muito mais útil e seguro.

Encher o peito para falar que utiliza uma teoria vencedora do Prêmio Nobel de economia é uma estratégia de marketing muito comum ao redor do mundo e começa a ganhar espaço aqui no Brasil também. Esta estratégia se baseia no uso da autoridade e da mística que o prêmio Nobel confere aos seus laureados. Por exemplo, a Moderna Teoria do Portfólio, de Harry Markowitz é o principal alvo nos dois vídeos que indiquei anteriormente.

O próprio Markowitz não utilizou sua teoria na hora de montar sua carteira, como mostra este trecho do livro “Your Money and Your Brain”. A teoria é elegante, sem dúvida, mas é uma teoria. Estudos, como este, mostram que, na prática, a tão famosa e alardeada teoria, perde para a velha heurística de dividir seus ovos em várias cestas iguais. Este é um assunto para um próximo artigo.

Enfim, riscos e incertezas são coisas diferentes. Temos a tendência de acreditar que temos poderes preditivos acima da média e, mais ainda, acreditamos que utilizando modelos estatísticos complicados e rebuscados estaremos mais seguros ou mais aptos a atingir resultados melhores.

Há toda uma indústria financeira vendendo proteção contra riscos em um mundo de incertezas de forma muito eficiente. De acordo com os dois gigantes que vimos aqui, você está pagando caro por conselhos bem piores que os da sua avó.

Então, faça algo bom para seu bolso e seu coração: ligue para a sua avozinha e ouça a voz da experiência.

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