3 perguntas que você precisa fazer antes de comprar um imóvel

Um dia desses, estava em uma roda de amigos na qual um dos participantes falava a plenos pulmões sobre a tacada de mestre que havia sido comprar o apartamento que morava. Ele contava que havia comprado seu apartamento na planta, nos idos de 2004, por apenas R$ 500 mil reais. Hoje o apartamento valia pelo menos, segundo ele, R$ 2,4 milhões.

Chegando em casa, fui conferir esta história de perto. Como sabia onde o sujeito morava, procurei imóveis à venda no mesmo edifício. Bom, o preço batia.

A grande maioria dos vendedores pedia os R$ 2,4 milhões informados. Havia um mais afoito que anunciava o apartamento por R$ 2,25 milhões. Como proprietários de imóveis, normalmente, acreditam que seus imóveis valem muito mais do que realmente valem, dei um crédito ao meu amigo. A estimativa dele estava realista.

O segundo ponto da análise foi verificar o quão bom foi aquele negócio em termos financeiros. Lancei os R$ 500 mil reais na calculadora do CDI no site da CETIP. Como não sabia a data exata da compra, lancei que ele havia comprado o imóvel em 1º de janeiro de 2004. O resultado não me surpreendeu em nada.

Caso meu amigo tivesse aplicado estes mesmos R$ 500 mil em um produto de renda fixa que rendesse 100% do CDI no período, ele teria hoje R$ 2.418.461,12.

Realmente, não existe almoço grátis. Sempre que faço esse comparativo para períodos maiores que 10 anos, o CDI, na pior das hipóteses, empata com o valor do imóvel.

Ok! Você pode argumentar que ele não pagou aluguel no período e que se tivesse aplicado esta economia mensal pelos últimos 13 anos, seu patrimônio seria muito maior do que daquele investidor que não comprou o imóvel. Concordo! Se ele fez isso: parabéns! Infelizmente, não é o que a grande maioria das pessoas faz.

Pela nossa experiência, vemos que o imóvel próprio costuma ser o maior, quando não o único, patrimônio das famílias. Poucos têm o hábito de pagar um aluguel a si mesmo.

Se você paga um aluguel a si mesmo e poupa este valor para o amanhã, meus parabéns! Este é um hábito financeiro muito saudável.

De qualquer maneira, pensei muito sobre o assunto e percebi algumas coisas, entre elas que as pessoas gostam muito de grandes números. Eles ficam na nossa memória e, quando avaliamos este tipo de operação em um prazo muito longo, acreditamos sempre termos feito um baita negócio. Outra conclusão que cheguei foi a formulação destas três perguntas que considero básicas e que devem ser feitas quando você ainda estiver amadurecendo a ideia da casa própria:

1 – Você é financeiramente disciplinado?

Se a resposta for não, então, a compra de um imóvel, sem incorrer em uma dívida muito grande, pode ser a sua chance de construir algum patrimônio. Conheço muitas pessoas que só conseguem construir patrimônio por meio de dívidas, por meio de obrigações legais com terceiros.

Existem muitas pessoas que não têm disciplina suficiente para poupar regulamente ou, até tem tal disciplina, mas assim que acumulam um montante maior de dinheiro, acabam gastando com bens supérfluos. Para estas pessoas, a compra de um imóvel, seja à vista ou financiado, é uma boa opção.

De qualquer forma, a próxima questão tem que ser muito bem pensada.

2 – Como está sua liquidez?

Você vai comprar o imóvel financiado ou à vista?

No caso que contei anteriormente, meu amigo pagou o imóvel à vista. Se este é o seu caso, você deve verificar como ficará sua reserva de emergência, sua reserva para aposentadoria, os fundos para seus demais objetivos de vida. Se você empregar todo seu capital na compra de um imóvel, você pode se ver, no futuro, tendo que vender sua casa para arcar com alguma despesa inesperada e isso não é nada bom.

Se você pensa em financiar, lembre-se que o financiamento é uma forma de alavancagem financeira. Você está comprando um bem que vale hoje mais que seu patrimônio financeiro atual. Caso você tenha algum revés em sua renda e não consiga pagar as parcelas, você poderá perder o imóvel e não ter nada do que investiu de volta. Se optar pelo financiamento, não dê um passo maior que suas pernas.

3 – Você quer derrubar paredes?

Se você está no momento da sua vida no qual você quer ter a liberdade de poder personalizar sua residência, reformá-la como bem entender e não precisar da autorização de ninguém para isso, então, o aluguel não é para você. Em outro artigo falei extensivamente sobre este assunto. Ser dono ou alugar sua residência é um assunto que vai muito além do lado financeiro. Leve em consideração o aspecto emocional desta decisão, mas não se esqueça de respeitar o lado financeiro.

Como você pode ver, não estou advogando nem contra nem a favor da compra da casa própria. A primeira questão deixa isto bem claro. Quero apenas propor uma forma simples para você pensar de forma profunda sobre um assunto o qual as pessoas costumam pensar pouco antes de agir.

É claro que existem varias outras perguntas específicas que devem ser feitas quando for decidir pela compra de sua casa. Estas perguntas mais específicas costumam ser, também, mais encantadoras, mais divertidas, mais inspiradoras.

Porém, acredito fortemente que se você começar por esta reflexão mais ampla, você diminuirá muito o risco de fazer uma compra deste porte apenas por impulso ou por influência de convenções sociais.

Pense por si mesmo.

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