Goal-based Investing e Capital Humano: como unir estes dois conceitos?

Continuando a nossa saga para entender um pouco mais como o Capital Humano, o maior ativo de um jovem investidor, deve compor nossas decisões financeiras, escrevo hoje sobre a relação entre o Capital Humano e a alocação de ativos. Ou seja, como você deve montar sua carteira de investimentos levando em conta seu Capital Humano.

Além de analisar o modelo proposto pelo professor Ibbotson, neste artigo, sugiro, de forma simples, como alocar seus ativos de acordo com seus objetivos de vida, seguindo a linha do goal-based investing.

Vamos lá!

Capital Humano e a alocação de ativos

No artigo já citado, o professor Ibbotson e sua equipe, sugerem que o Capital Humano deve ser parte importante na decisão de alocação da carteira de investimentos de qualquer pessoa, especialmente, quando jovens, pois, este é seu principal ativo. Normalmente, eles sugerem, o Capital Humano, por ser o valor presente de nossos salários futuros, é menos volátil que o mercado de ações.

Por conta desta conclusão, a maior parte da Riqueza Total (Capital Humano mais Capital Financeiro) acaba tendo características conservadoras. Sendo assim, para que um jovem atinja uma maior diversificação da Riqueza Total, é necessário que tenha uma carteira mais concentrada em títulos de renda variável. Pois, conforme envelhece e seu Capital Financeiro cresce, aos poucos, deve assumir uma postura mais conservadora com seus investimentos.

Essa é a visão mais simplista da coisa. Devemos também levar em consideração aspectos psicológicos e comportamentais na hora de alocarmos nosso dinheiro. O perfil psicológico e tolerância ao risco também devem balizar a alocação.

A correlação entre Capital humano e Capital financeiro também deve ser levada em conta. Dois exemplos rápidos explicam isso:

  1. alguém que trabalha em uma empresa de capital aberto, não deve ter a maior parte de seu Capital Financeiro em ações desta empresa, pois, caso a empresa enfrente problemas, a pessoa verá uma perda considerável no Capital Financeiro com a queda dos preços das ações somada a uma diminuição do Capital Humano com a perda do salário;
  2. um funcionário público, que possui uma renda estável e corrigida pela inflação, pode ter menor exposição a títulos públicos corrigidos pela inflação e investir mais em renda variável.

Os dois exemplos anteriores focam na questão da diversificação. Lembro, novamente, que o perfil de risco do investidor também tem papel importante na alocação. Falei sobre isso com mais detalhes aqui.

O gráfico abaixo, uma tradução livre e adaptada de um esquema proposto no artigo do professor Ibbotson, resume bem o que foi discutido até aqui.

Repare que, além dos pontos já discutidos, o investidor deve, antes de mais nada, proteger seu Capital Humano por meio de coberturas de seguros. Tema que discuti em detalhes neste artigo.  Além disso, ele deve converter seu Capital Humano em Capital Financeiro por meio da poupança regular.

Somente depois de toda essa análise é que se parte para a formulação das premissas de mercado e da alocação estratégica de ativos pela teoria moderna do portfólio.

Capital Humano e Goal-based Investing

Minha proposta é que esta última etapa, a decisão de alocação de ativos, feita desta forma mais clássica, está ultrapassada. O próprio Harry Markowitz, pai desta teoria, reconhece isto neste artigo.

Além dele, diversos outros reconhecem que a abordagem dos investimentos por meio de objetivos de vida, o goal-based-investing, é mais eficiente para investidores individuais. Sugestões de leitura sobre o tema aqui, aqui, aqui e aqui.

O que proponho é uma alteração na última etapa do processo de alocação, saindo do modelo de alocação tradicional e utilizando a filosofia goal-based investing. Ela me parece muito mais adequada ao conceito de Capital Humano.

Para descobrimos o real Capital Humano de um investidor, devemos conhecer profundamente sobre sua vida, seu emprego, sua renda, suas ambições, seus medos, etc. Essas são premissas básicas de um planejamento financeiro orientado por objetivos. Sem conhecer a si mesmo ou ao seu cliente profundamente (caso você seja um profissional da área), nem análise do Capital Humano, nem um plano seguindo a filosofia do Goal-based investing, ficarão bem feitos.

Desta forma, me atrevo a fazer a seguinte alteração no esquema originalmente proposto pelo professor Ibbotson.

Uma alteração simples, porém poderosa. Nela, a premissas de mercado de capitais passam a ficar em segundo plano. Em primeiro plano está o cliente e seus objetivos, medos e ambições.

Uma vez entendidos bem estes pontos,parte-se para a alocação formal e “otimização” da carteira de investimentos separando os  investimentos em caixinhas destinadas a cada objetivo ou classe de objetivos.

Esta visão, em minha opinião, coloca o indivíduo ainda mais no centro da análise quando pensamos na montagem de sua carteira de investimentos. Agora, é papel do investidor, otimizar seus objetivos e não mais sua carteira de ativos.

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