Seria este o fim da aposentadoria? Conheça o conceito de ikigai

Já faz certo tempo que li este artigo, desde então, trabalhando, entendendo as demandas de nossos clientes e lendo cada vez mais sobre aposentadoria, percebi que escrever um artigo sobre esse assunto, não só seria apropriado como altamente necessário tendo em vista as constantes ressignificações dos conceitos de felicidade e propósito de vida. Conceitos estes que são considerados chave quando falamos sobre aposentadoria.

Não é de hoje que o tema aposentadoria, ou o fato de conseguir viver de rendas acumuladas durante a fase “produtiva” da vida estão cada vez mais em xeque. Dito de outra forma, ideias como aposentadoria exclusivamente pública, parar definitivamente de trabalhar ou deixar de ser produtivo a partir de uma determinada idade estão a cada dia que passa sendo contrastadas com novas ideias de propósito de vida.

Feita essa breve introdução, cujo objetivo principal foi apresentar um problema, nos resta ir mais a fundo. Vamos agora até a origem do nosso puzzle conceitual da aposentadoria.

Bem, para começar, quem, afinal de contas, definiu este conceito clássico de aposentadoria?

Respondo: os alemães.

Sim, no longínquo ano de 1889, o chanceler alemão Otto von Bismarck inventou o conceito de aposentadoria tal como entendemos hoje: todos aqueles que são incapacitados de trabalhar, seja por idade ou invalidez, podem reivindicar junto ao Estado os  devidos cuidados  necessários (recursos financeiros) para ter um resto de vida mais tranquila e confortável.

A ideia primária do chanceler Bismarck era simples: resolver o problema do alto nível de desemprego entre os alemães mais jovens pagando aos germânicos mais seniores, mais especificamente aqueles acima de 70 anos de idade, para deixar a força de trabalho. A partir de então, outras nações seguiram o exemplo dos alemães e também estipularam regras parecidas para trabalhadores entre 65 e 70 anos de idade.

Mantidas algumas semelhanças conceituais, é preciso ressaltar uma grande diferença entre a Alemanha do fim do século XIX e a realidade do país em pleno século XXI. Essa diferença se resume à expectativa de vida. Um alemão médio em 1889 esperava viver até no máximo, estourando, 70 anos de vida, hoje o mesmo alemão vive em média mais, muito mais que isso, cerca de onze anos a mais para ser mais preciso. O problema maior não é só esse, o mesmo alemão está se aposentando mais cedo do que foi proposto por Bismarck na virada do século retrasado.

O Brasil segue uma tendência similar à realidade alemã. Para piorar, vemos todos os dias manchetes nos jornais destacando a ineficiência e o comprometimento da capacidade de solvência da previdência pública que se somam as duras histórias reais dos já aposentados que nos rodeiam. Tudo isso nos leva a crer que o conceito de aposentadoria nesse sentido mais clássico da palavra é preocupante, para não dizer, no mínimo, frágil.

Então o que devemos fazer?

Trabalhar incansavelmente pelo resto de nossas vidas?

Para tentarmos nos aproximar mais daquela que talvez seja a resposta mais correta para a pergunta que acabei de fazer, devemos nos transportar para as ilhas de Okinawa, província mais ao sul do Japão.

O modo de vida em Okinawa se torna importante nessa nossa reinterpretação de aposentadoria, pois se baseia em alguns fatores relevantes: estudos comprovam que homens e mulheres na pequena ilha asiática vivem em média sete anos a mais que um americano médio, por exemplo. Isso significa na prática viver até os 86 anos de idade em média. Além disso, o mais interessante é que a população da ilha tem um dos maiores índices de envelhecimento ativo do mundo, ou seja, menores incidências de alguma incapacidade física por parte de seus vovôs e vovós.

Alguns segredos por trás da longevidade dos habitantes de Okinawa não são tão secretos assim, como, por exemplo, uma alimentação saudável em proporções corretas.

No entanto, talvez o mais interessante seja o fato de os okinawans possuírem outro ponto de vista ao definirem o propósito maior de suas vidas, e é nesse ponto que este grupo de japoneses se difere bastante de nós ocidentais, principalmente no tocante ao conceito de aposentadoria.

A maioria de nós do Ocidente imagina a aposentadoria tal como foi concebida pelos alemães há quase 130 anos atrás, ou seja, relaxando em confortáveis espreguiçadeiras à beira da praia ou preenchendo longas tardes sem compromissos com atividades que objetivam o descanso.

O que você imagina que fazem os senhores e senhoras do outro lado do globo?

Em outras palavras, o que eles entendem por aposentadoria?

Acredite, eles simplesmente não entendem o conceito de se aposentar. Não há uma palavra que defina o significado disso. Literalmente não há nada na língua deles que defina este conceito de parar de trabalhar definitivamente (pode procurar no dicionário). Ao invés disso, uma das sociedades mais saudáveis e longevas do planeta utiliza a palavra ikigai.

Em uma tradução romântica e grosseira, ikigai significa “aquilo que te faz levantar da cama todas as manhãs”, em uma tradução de certo modo mais literal e objetiva eu chamaria de “propósito maior de vida”.

Estudos foram realizados visando entender melhor o conceito de ikigai na prática. Questionou-se com a seguinte pergunta uma amostra bem definida e diversificada de japoneses: “você possui ikigai na sua vida?”.

A conclusão foi que aqueles que reportaram possuir ikigai no início do estudo foram aqueles que anos depois se mostraram mais propensos a estarem casados, apresentaram maiores níveis educacionais e maiores taxas de empregabilidade e, de quebra, apresentaram também maiores índices de saúde e menores níveis de estresse. Ao fim de longos sete anos de estudos, 95% dos entrevistados que afirmaram ter ikigai estavam vivos contra 83% do grupo daqueles que afirmaram não ter propósito maior na vida.

Para entendermos melhor este novo conceito de aposentadoria, devemos abstrair o objetivo de descanso absoluto compulsório. A única coisa que se aproxima dessa definição é a morte. Nós, seres humanos, somos mais ativos do que fomos levados a acreditar. Em nossa essência não estamos dispostos a realmente nos aposentar e simplesmente não fazer nada. Nós queremos, na verdade, fazer algo que amamos, que fazemos realmente com propósito, independentemente da idade.

Perceba que aqui não estamos falando sobre aposentadoria ligada aquelas imagens de dias infindos de tédio, pescando ou velejando no pôr do sol (se algum desses três exemplos é o que realmente te motiva, esqueça o que estou falando, você está no caminho certo do ikigai). Na maioria das vezes, se dedicar exclusivamente esses tipo de aposentadoria com foco no descanso pode se tornar extremamente frustrante ou,  no mínimo, muito entediante.

Para tentar aplicar o ikigai ao longo de toda sua vida, aqui me refiro a antes e depois de sua aposentadoria formal, comece a aplicar aquilo que é conhecido como método dos Quatro S’s:

Social (Social): amigos, conhecidos, colegas de trabalho e familiares alegram mais nossos dias e preenchem nossas necessidades diárias de socialização.

Planejamento (Structure): planeje-se, programe aquele despertador para levantar todas as manhãs e fazer aquilo que motiva você, a satisfação extraída de seu ikigai está diretamente correlacionada com o tempo que você está dedicado às atividades que te motivam.

Motivação (Stimulation): tente permanecer constantemente desafiado pelo aprendizado de algo novo todos os dias.

Legado (Story): seja parte de algo maior do que você mesmo. Participe de um grupo cujo maior propósito não possa ser alcançado de forma individual.

Considerações finais

Aqui na Guide Life estimulamos nossos clientes a se aventurarem na busca pelo ikigai. Ajudamos no S do Planejamento (Structure). Cremos que por meio da preparação incentivamos aquilo que conceituamos como independência financeira e não simplesmente aposentadoria.

Por circunstâncias da vida, muitas pessoas acabam por trabalhar ou ter uma carreira mais por uma comodidade de momento, uma boa oportunidade salarial, do que por estar e, engajadas naquilo que realmente as fazem feliz, aquilo que as motivam a levantar da cama todas as manhãs.

Trabalhamos todos os dias para todos aqueles que já praticam o ikigai ou para aqueles que desejam alcançá-lo. Buscamos oferecer alternativas, caminhos e conselhos para que se possa tomar a decisão de fazer aquilo que ama de forma tranquila, estando antes de tudo seguro financeiramente.

Acreditamos que com um pouco de resiliência e foco é possível se preparar, ir a fundo em suas verdadeiras paixões, não importando qual seja o seu verdadeiro propósito.

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