Estratégia Vencedora com Ações: ETF’s

A discussão sobre estratégia de investimentos em ações é uma discussão sem fim. Alguns defendem ardorosamente que é possível sim agregar valor por meio de estratégias ativas, ou seja, bater o mercado. Já outros, defendem que estratégias ativas são apenas uma maneira sofisticada de se cobrar caro para gerir o dinheiro dos outros e sem garantia alguma de ganhos superiores.

Aqueles que acreditam ser possível bater o mercado, ou melhor, algum índice de ações, costumam fazê-lo de duas formas: montar suas próprias carteiras de ações ou comprar cotas de um fundo de ações e, indiretamente, contratar um gestor para fazer isso por eles.

Este artigo não será muito útil para esta classe de investidores, já que aqui quero mostrar como replicar o mercado de ações forma eficiente e barata.

Veja bem, você também pode ser um entusiasta da gestão ativa e da seleção de ativos e, ainda assim, ter parte de sua carteira indexada a algum índice amplo de ações. Se este for o seu caso, uma estratégia sugerida é a estratégia core-satellite, estratégia na qual a maior parte de sua carteira é indexada a um índice, de forma que você replique mercado e outra parte é composta por estratégias ativas de seleção de ações.

ETFs

Em primeiro lugar, uma explicação rápida do que são ETFS. ETF, do inglês Exchange Traded Funds, são fundos que replicam a carteira de um índice e são negociados nas bolsas de valores, como se fossem ações.

Por exemplo, você quer comprar a carteira do Índice Bovespa, mas não tem dinheiro ou tempo para rebalanceá-la constantemente, você pode comprar um ETF que, por sua vez, comprará todas as ações deste índice e fará os ajustes necessários de posição por você. Sua única ação é comprar o ETF.

Cuidados ao selecionar um ETF de ações

Você deve tomar três cuidados básicos: taxas; ativos que compõem a carteira e índice de referência.

  1. Taxas: O primeiro ponto a ser observado é o custo da taxa de administração do produto selecionado. Ela pode impactar diretamente no quão próximo o ETF escolhido andará do índice de referência. No Brasil, os ETFs de ações listados na Bovespa cobram, em média, 0,50% ao ano de taxa de administração. A notória exceção é o PIBB11 que cobra apenas 0,059% ao ano. Este valor é, realmente, baixo para padrões brasileiros. Chega a ser compatível com o que se cobra nos ETFs lá fora, sendo assim, uma enorme vantagem para o produto. Porém, fique atento, pois há outros custos operacionais relacionados ao dia a dia operacional do ETF e o custo total dele pode ser maior que a taxa de administração.
  2. Ativos: nem todos os ETFs são compostos simplesmente pelas ações que compõem o índice. Algumas gestoras optam por utilizar contratos futuros e derivativos para simular estes índices de forma sintética. Apesar de esta estratégia ter algum ganho de eficiência e custos, ela adiciona alguns riscos adicionais ao ETF como o risco operacional e o risco de contraparte. Este último é mitigado dentro do âmbito da BM&FBovespa.
  3. Índice de referencia: quando você compra um ETF, em última instância, você está comprando um índice. Um índice, nada mais é do que uma metodologia de cálculo de retorno de um grupo de ações baseado em alguns parâmetros específicos. Sendo assim, quando comprar um ETF, conheça a metodologia do índice o qual ele replica. Isso é muito importante.

Veja aqui a lista de todos os ETFs de ações listados no Bovespa.

PIBB11 ou BOVA11?

Dentre os ETFs listados na principal bolsa de valores do Brasil, os que mais se destacam em termos de mídia e volume negociado são o PIBB11 e o BOVA11.

O PIBB11, lançado em julho de 2004, foi o primeiro ETF brasileiro. Atualmente, seu patrimônio líquido é de pouco mais de R$ 1 bilhão. O PIBB11 replica a carteira do IBRX-50, índice de retorno total, que indica o desempenho médio das cotações dos 50 ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. Maiores informações sobre o ETF aqui e sobre o índice aqui.

O BOVA11, lançado em fevereiro de 2008, é um ETF que replica o Índice Bovespa (Ibovespa). O Ibovespa representa o desempenho das ações que compõem 85% dos negócios da Bolsa de São Paulo. Este ETF tem patrimônio líquido de pouco mais de R$ 3 bilhões. Maiores informações sobre o ETF aqui e sobre o índice aqui.

Quando comparamos os dois, uma coisa é importantíssima de se notar: tratam-se de índices parecidos, mas diferentes.

Enquanto o IBRX-50 é limitado a 50 ações, o Ibovespa não tem este limite. Atualmente, ele é composto por 61 ações, mas conforme o mercado fique mais pulverizado, este número pode aumentar, logo, ao comprar a cesta do Ibovespa, você compra uma carteira mais diversificada.

Na prática, no entanto, os dois índices tem performado de forma muito similar desde a mudança de metodologia no índice Bovespa. O gráfico abaixo, representativo dos últimos cinco anos, retirado do ótimo site da Exame, mostra isso.


Fonte: http://exame.abril.com.br/mercados/cotacoes-bovespa/indices/IBX50/grafico

O grande diferencial entre os dois é, no entanto, a diferença de custos gigantesca. Enquanto o PIBB11 cobra apenas 0,059% ao ano, o BOVA11 cobra 0,54% ao ano. Isso impacta diretamente na diferença entre a rentabilidade dos produtos quando comparados aos seus respectivos índice.

Vejamos caso a caso.

O BOVA11, desde seu início rendeu 74,14% enquanto o Ibovespa rendeu 80,13%. Anualizando esta diferença, chegamos a uma média anual de 0,61%, maior que os 0,54% de taxa de administração. O gráfico abaixo retirado do site da BlackRock demonstra isso.

Fonte: https://www.blackrock.com/br/products/251816/ishares-ibovespa-fundo-de-ndice-fund

Já o PIBB11 rendeu, desde seu início, 318,19%, enquanto o IBrX-50 rendeu 307,8%. O baixo custo de administração fez com que receitas extras como o aluguel das ações do fundo pudessem ter um impacto positivo na rentabilidade do ativo. O gráfico abaixo, retirado do site do produto no Itaú, mostra que isto permanece até hoje, inclusive em prazos mais curtos.

Fonte: https://ww93.itau.com.br/itnow-pt/etfs-it-now/it-now-pibb-ibrx-50/performance/

Como a ideia de estratégias passivas é acompanhar o mercado com o menor tracking error possível, ou seja, com o menor descolamento entre rentabilidade do produto e índice subjacente, a opção pelo PIBB11 parece ser a mais vantajosa.

Como ponto negativo para o PIBB11 está o fato de que o índice é limitado a 50 ações, logo, no futuro, o BOVA11, pode ser uma cesta de ações significativamente mais diversificada.

Uma alternativa ao BOVA11 é o BOVV11, também administrado pelo Itaú. Este ETF cobra 0,3% ao ano. Caro, se comparado ao PIBB11, mas barato em relação ao BOVA11. Como ponto negativo, destaco a menor liquidez.

Minha esperança é de que os ETFs ganhem força no Brasil, já que são os produtos mais populares nos mercados desenvolvidos, e que tenhamos também produtos mais baratos. Devo dizer que sinto falta de ETFs de índices que paguem dividendos e não apenas os reinvistam como os produtos aqui citados. De qualquer maneira, estes produtos são uma ótima alternativa para compor a parcela passiva de sua carteira e, por isso, é muito importante que você entenda o que está comprando ao investir em algum deles.

Agende uma Orientação Financeira e conte com nossa ajuda para montar sua carteira de investimentos:

 

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