Como enxergar a Rentabilidade em seu Planejamento?

Escutamos muito falar sobre a relação entre risco e retorno: quanto maior o retorno pretendido, maior o risco a ser corrido para que se tenha chance de atingir tal retorno. Ou, então, quanto maior o risco corrido, maior é a expectativa de um retorno fora do comum. Na teoria, as relações econômicas e financeiras deveriam ser assim. Na prática, nem sempre são.

No dia a dia, vemos vários investidores se expondo a riscos altíssimos em busca de retornos muitas vezes irreais. A equação é simples, para atingir um determinado Valor Futuro temos quatro variáveis:

  1. Valor Presente, valor com o qual se inicia sua aplicação;
  2. Período, número de dias, meses ou anos que precisaremos para atingir este objetivo;
  3. Valor da Parcela, valor mensal/ diário/ anual que aplicaremos para este objetivo e
  4. Rentabilidade Esperada, taxa de juros que esperamos obter em nossa aplicação.

Por uma falha de percepção, muitas pessoas acabam se preocupando de maneira demasiada com a rentabilidade nominal de suas aplicações e ignoram os outros fatores. Buscam sempre o investimento que possa dar a maior rentabilidade possível, mas se esquecem de que uma maior rentabilidade, normalmente, vem atrelada a um maior risco.

Pior ainda, ignoram completamente os demais itens da equação. Em especial, a necessidade e a disciplina com seus aportes periódicos.

Em minha opinião, a disciplina nos aportes periódicos é muito mais importante que a rentabilidade nesta equação. Ela depende de nós, enquanto a rentabilidade não. Vamos ver, na sequência, como isto se manifesta em objetivos de curto prazo e em seu planejamento para a aposentadoria.

Objetivos de Curto Prazo

Vamos à um exemplo simples. Você deseja trocar seu carro em 12 meses, possui hoje R$ 10.000,00 e precisará de R$ 30.000,00. Um bom fundo DI rende hoje cerca de 0,92% ao mês, descontados os impostos, teríamos 0,736% ao mês. Desta forma, você precisará poupar, mensalmente, R$ 1.527,00.

Porém, só lhe sobram R$ 500,00 mensais para este objetivo. Você tem duas opções:

  1. economizar por 32 meses até juntar os R$ 30.000,00; ou
  2. buscar uma rentabilidade de 6,5% ao mês, ou seja, 113% ao ano!

Não há como negar que esta é uma rentabilidade irreal, mesmo para quem deseja correr muito risco. Seja investindo em ações ou via derivativos, tal rentabilidade só se consegue com uma enorme dose de sorte.

Acredito ser muito mais fácil perder o que investiu correndo tal risco do que conseguir este tipo de rentabilidade mensal.

Planejando sua Aposentadoria

Imagine agora o exemplo anterior em um prazo muito mais longo, algo como 20 ou 30 anos e se referindo a um objetivo muito mais importante: sua aposentadoria. Acredito que ninguém queira ser desleixado ou correr riscos desnecessários.

Imagine que para se aposentar em 20 anos você queira acumular um patrimônio financeiro de R$ 1.000.000,00 e não possui nada acumulado.

Apesar de importante, ignoraremos a inflação para facilitar o entendimento. Supondo que você consiga, neste período, uma rentabilidade média de 6% ao ano, você precisaria aplicar mensalmente R$ 2.205,37.

Se a rentabilidade aumentar para 8% ao ano, você precisará de R$ 1.757,47; se for de 12% ao ano, apenas R$ 1.097,44.

Apenas como critério de comparação, o principal índice de ações americano se valorizou, entre 1928 e 2014, a uma taxa anual de 9,60% (http://pages.stern.nyu.edu/~adamodar/New_Home_Page/datafile/histretSP.html).

Mesmo sabendo que o retorno esperado das ações no Brasil é maior que nos EUA, já que o risco aqui também é muito maior. Simular sua aposentadoria com valores acima de 10% ao ano me parece ser muito arriscado.

Nestas horas, prezamos pelo conservadorismo e acreditamos que uma premissa mais baixa seja mais realista, por isso a opção por 6% ano.

Voltando ao nosso exemplo, imagine que você destine apenas R$ 700,00 por mês para sua aposentadoria. Neste cenário, para atingir seu primeiro milhão em 20 anos, você precisaria de uma rentabilidade mensal média de 1,22% ou 15,7% ao ano.

Caso o cenário mais conservador se confirme e sua rentabilidade média seja de 6% ao ano, você teria apenas R$ 317.407,06 ao final de 20 anos.

E então, o que fazer?

1) Seja conservador em suas estimativas. Diminuindo sua rentabilidade esperada, você precisará de maiores aportes mensais. Caso a rentabilidade seja maior que a simulada, você alcançará seu objetivo mais cedo.

2) Seja disciplinado, faça religiosamente os aportes programados. No caso de sua aposentadoria, considere a hipótese de utilizar uma previdência privada para criar disciplina.

3) Busque investimentos de acordo com seu perfil de investidor, não invista em algo apenas por estar na moda ou por achar que terá o maior retorno. Em momentos de queda dos preços dos ativos, você pode não aguentar o impacto e vender seus ativos no momento errado.

4) Não pule de galho em galho, principalmente, quando investindo em fundos de investimentos. Pesquisa feita nos EUA, descrita no livro “The Myth of the Rational Market: A history of risk, reward , and delusion on Wall Street”, de Justin  Fox, mostra que a estratégia de comprar os fundos que mais subiram no ano anterior entregou, entre 1984 e 2002, resultados pífios.

5) Lembre-se do motivo pelo qual está investindo. Se estiver pensando em sua aposentadoria, lembre-se que se trata de uma maratona e não uma corrida de 100 metros.

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