Ouro: investimento ou superstição?

O investimento em ouro é, provavelmente, o tipo de investimento mais polêmico e que desperta as opiniões mais apaixonadas no mercado financeiro. Existem aqueles investidores que defendem este ativo com unhas e dentes e entendem que este é o único porto seguro do mundo dos investimentos.

No entanto, existem outros investidores famosos que mal consideram o ouro como um ativo e o tratam, na melhor das hipóteses, como uma commodity.

Entre seus defensores mais ilustres e vocais estão nomes como: Jim Rodgers, Peter Schiff, Jesse Felder, Raoul Pal, Kyle Bass, entre outros. Estes investidores defendem abertamente que todos devem ter uma parte de seu patrimônio investido em ouro, preferencialmente, ouro físico.

Os motivos podem variar um pouco de um para o outro, mas a ideia central de todos eles é que o ouro é a única moeda propriamente dita existente e que o dinheiro que usamos atualmente, como Dólar, Euro ou Real, por exemplo, tem seu valor apenas na confiança que as pessoas têm nos Governos que os emitem.

Caso esta confiança seja quebrada um dia, estas moedas perderão todo seu valor, assim como aconteceu com todas as outras moedas que a precederam ao longo da história da humanidade.

É um argumento um tanto quanto alarmista, de fato. Entretanto, se estudarmos a história das moedas, isto que eles alertam, já ocorreu efetivamente algumas vezes. Outro argumento destes investidores é de que, para se manter o sistema de reservas fracionárias, no qual se baseia toda a ideia de moeda fiduciária, é necessário haver uma “guerra ao dinheiro”, ou seja, os governos teriam total interesse que a população utilizasse meios eletrônicos de pagamento e não dinheiro físico, já que, no limite, se todos fossem sacar suas reservas dos bancos, este dinheiro não estaria lá. Outro fato.

Poucos sabem ou, no mínimo, se atentaram ao fato de que, em novembro do ano passado, o governo indiano tirou das ruas 80% do dinheiro em circulação no país, ao abolir o uso das notas de quinhentos e mil rúpias. À época, estas notas equivaliam algo como oito e quinze dólares, respectivamente. O argumento do Governo foi o de combate à corrupção e ao financiamento do terrorismo. Mais informações sobre isto aqui e aqui .

Este evento coloca mais lenha na “fogueira das conspirações” e mais argumentos para reforçar a tese dos defensores do ouro que entendem que se você possui ouro físico, você estará menos sob o controle de ações estatais como essa.

Um ponto dos críticos é quanto ao timing disso, ou seja, quando esta quebra de confiança da moeda efetivamente ocorrerá e, mais ainda, se isto ocorrerá de forma brusca ou de forma gradual.

Aqueles que não compram esta teoria aceitam eventos de quebra de confiança e não negam o fato de que as moedas fiduciárias vêm e vão, porém, os países e as pessoas continuarão a produzir, realizar trocas e não pararão de viver por conta disso.

Warren Buffet, o mais famoso dos investidores, afirmou diversas vezes que não investe em ouro, pois não o considera um ativo. O argumento dele é que se você deixar o ouro lá, parado, ele nada produzirá, ao contrário de uma empresa ou de uma fazenda, por exemplo. Para ele, o ouro não tem utilidade. Aqui você consegue ver um compilado de frases de Buffet sobre o ouro.

E então, o que fazer?

Bem, nem tanto ao céu nem tanto ao inferno. Mesmo os mais fervorosos defensores do ouro não recomendam que ninguém invista todo seu dinheiro neste ativo. A maioria deles defende uma posição de, no máximo, 20% de seu patrimônio.

Aqui no Brasil, temos uma situação privilegiada, pois o investidor pode comprar contratos de ouro à vista (físico) via BM&F. Isto é, de seu computador, por meio de uma corretora de valores, você pode comprar contratos de 10g ou 250g de ouro (código oz2d e oz1d). Se quiser, pode ir ao banco custodiante da bolsa e “sacar” seu lingote de 250g e manter sua barra de ouro em casa.

Um ponto muito importante de se levar em consideração antes de sair comprando contratos de ouro é o seu perfil de investidor. Já aviso: o ouro é um ativo muito volátil. Oscila e muito. Como o grama do ouro (a onça troy, para ser mais preciso) é cotado em dólar no mercado internacional, quando este contrato é negociado aqui no Brasil, seu preço é uma função da cotação internacional do ouro e do dólar frente ao Real. Isto é, são dois fatores que fazem o preço oscilar. Neste link, você tem detalhes sobre a negociação deste contrato na bolsa.

Este ponto é muito importante, pois se você for precisar daquela parcela investida do seu capital no curto prazo, não tiver apetite para risco e se assustar com quedas nos preços de seus ativos, o ouro não é para você. Entre fevereiro de 2016 e dezembro do mesmo ano, o preço do contrato caiu 26%. De dezembro até agora, junho de 2017, o contrato subiu 12%.

Em resumo, o ouro tem seu papel dentro de uma carteira bem diversificada, principalmente, pelo fato de historicamente apresentar pouca correlação com o preço de ações e títulos de renda fixa, por exemplo. Além disso, no caso brasileiro, é uma forma de proteção cambial contra as altas do dólar. Porém, por ser um ativo com grande oscilação de preço, deve ser usado com muita parcimônia e para finalidades específicas, bem definidas, principalmente, por investidores conservadores.

Mais um alerta: tome cuidado com textos muito alarmistas sobre o assunto. É muito comum nos deparamos com histórias bem construídas e sedutoras sobre o fim do sistema monetário como o conhecemos. Já vi muita gente comprando estas histórias e investindo uma parcela grande, até mesmo desnecessária, de seu patrimônio em ativos ligados ao ouro.

Vá com calma, estude, entenda um pouco mais sobre o assunto, veja se este ativo tem espaço dentro de seu planejamento financeiro, se é adequado ao seu perfil de investidor e, então, defina qual tamanho que esta posição pode ter na sua carteira.

Lembre-se! Um ponto em comum entre defensores e detratores do investimento em ouro é: nunca entre all in em qualquer investimento.

Entenda mais como diversificar o seu patrimônio fazendo o download do e-book abaixo:

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