Afinal, qual é o melhor investimento de renda fixa?

Como planejador financeiro no Brasil ouvimos essa pergunta todos os dias. LCA, CDB, fundos, previdência ou tesouro? No radio, na TV ou de amigos estamos o tempo inteiro ouvindo informações desencontradas sobre qual é o melhor lugar para investir nosso dinheiro com a segurança que apenas a renda fixa oferece.

Nesse artigo iremos comparar, com números, as 5 aplicações mais populares e acessíveis para pessoa física, e entender qual é a melhor para você! Mas já adiantando, a resposta final é que tudo vai depender do seu objetivo para o investimento. As diferenças entre as aplicações fazem com que cada uma seja a melhor em diferentes cenários.

Para fazer uma comparação clara e simples usaremos como exemplo nesse artigo apenas investimentos mais populares e atrelados ao CDI. São eles:

LCAs e LCIs

São muito populares pela isenção de imposto de renda porém pagam um percentual menor do CDI o que confunde muita gente na hora de comparar com CDBs. Os títulos com boas taxas oferecidos em corretoras não têm liquidez e só podem ser resgatados na data de vencimento combinada que, em geral, não passa de 3 anos.

CDBs

Pagam taxas mais altas e o imposto de renda é calculado pela tabela regressiva que vai caindo de 22,5%, para resgates antes de 6 meses, até 15%, para resgates após dois anos. Os títulos com boas taxas oferecidos em corretoras não têm liquidez e só podem ser sacados após a data de carência combinada que pode chegar à 5 anos.

Fundos de renda fixa

Existem muitos, alguns melhores outros piores, o mais importante é olhar a taxa de administração e a rentabilidade média que ele vêm proporcionando em relação ao CDI. Seguem a mesma tabela de imposto dos CDBs. Porém, há a cobrança do “come cotas”.  Imposto de renda cobrado semestralmente que diminui sua quantidade de cotas no fundo. Uma grande vantagem é você não se preocupar com a data de vencimento do fundo e haver a possibilidade de liquidez diária.

Previdência

Existem vários formatos, PGBL que possibilita o desconto no imposto de renda para quem faz declaração completa e o VGBL, que iremos usar como exemplo. Na maior parte dos casos a tributação preferível é a regressiva. Esta vai de 35% até 10%, Incidindo rendimento acumulado, atingindo a menor alíquota após 10 anos. A grande vantagem aqui é que as previdências não têm data de vencimento e o imposto não é pago, mesmo que seja feita a portabilidade, até que o dinheiro seja sacado.

Títulos do tesouro

Existem diferentes títulos de renda fixa. Não iremos comentar aqui sobre os pré-fixados que são bem mais complexos e podem inclusive ter rendimentos negativos. O queridinho do momento é o tesouro Selic, título atrelado a CDI, e que não apresenta rendimento negativo. Tem por vantagem ser acessível com valores muito baixos e também usa a tabela de imposto de renda regressiva. Aquela que vai de 22,5% a 15% em dois anos. São cobradas taxas de administração do tesouro direto e spread se você precisar vender antes do vencimento.

Vamos então as contas! Imagine que aplicamos R$10.000,00 em diferentes prazos e que o CDI se manteve constante em 10% ao ano durante todo período. Para comparação usaremos alguns produtos com taxas similares às melhores praticadas hoje no mercado para fazer as contas:

  • LCA oferecido em uma grande corretora com uma taxa de 92% CDI;
  • CDB oferecido em uma grande corretora com uma taxa de 110% CDI;
  • Uma boa Previdência VGBL regressiva com rendimento médio de 104% CDI nos últimos 5 anos já descontada taxa de administração;
  • Tesouro Selic que rende 100% CDI com investimento feito através do tesouro direto (0,3% ao ano de taxa) em uma corretora que não cobra taxa;
  • Bom fundo de renda fixa que rende 104% CDI já descontada a taxa de administração.

Cenário 1: Aplicação de curto prazo com resgate do dinheiro em 1 ano

Aplicação Taxa Resultado Bruto Resultado após impostos
LCA 92%  R$ 10.920,00  R$ 10.920,00
CDB 110%  R$ 11.100,00  R$ 10.880,00
Tesouro Selic 100%  R$ 10.967,00 R$ 10.773,60
Fundo 104%  R$ 11.040,00  R$ 10.832,00
VGBL 104%  R$ 11.040,00  R$ 10.676,00

Nessa simulação o grande ganhador é a LCA. Vemos que o resultado bruto do CDB é maior, mas após pagamento do imposto de renda, mesmo com a menor taxa nominal entre os investimentos, a LCA tem um resultado liquido melhor devido à isenção de imposto de renda. É muito importante lembrar, porém, que para conseguir boas taxas em CDBs e LCAs o dinheiro vai ficar preso até uma data definida quando, só então, ele irá cair na sua conta.

Logo, se você pode precisar do dinheiro antes melhor usar um fundo de investimento! E se você não precisar dele no momento do vencimento vai ter que encontrar outro lugar para investir.

Já o grande perdedor é a previdência com 35% de imposto de renda quando sacada no primeiro ano é um investimento terrível de curto prazo.

Cenário 2: Investimento de médio prazo com resgate do dinheiro em 5 anos.

Aplicação Taxa Resultado Bruto Resultado após impostos
LCA 92%  R$ 15.527,92  R$ 15.527,92
CDB 110%  R$ 16.850,58  R$ 15.822,99
Tesouro Selic 100%  R$ 15.864,97  R$ 14.985,22
Fundo 104%  R$ 16.400,06 R$ 15.250,65
VGBL 104%  R$ 16.400,06 R$ 14.800,04

Aqui vemos que o ganhador é o CDB. Mas atenção! Neste exemplo usamos um CDB com vencimento de 5 anos, isso significa que você precisaria ficar com dinheiro completamente preso, correndo riscos tanto na sua vida pessoal quanto de mudanças econômicas no país como, por exemplo, uma alta significativa da inflação.

Assim, vai de cada um entender se o prêmio em relação aos outros investimentos vale o risco de deixar o dinheiro preso. Se diminuirmos o prazo e usarmos um CDB de 2 anos por exemplo seria necessário reaplicar e pagar imposto de renda 2 vezes e o resultado final seria de R$ 15.675,23.

Cenário 3: Poupança para aposentadoria com resgate do dinheiro em 20 anos:

Aplicação Taxa Resultado Bruto Resultado após impostos
LCA 92%  R$ 58.137,02  R$ 58.137,02
CDB 110%  R$ 80.623,12 R$ 62.683,70
Tesouro Selic 100%  R$ 63.351,50 R$ 50.425,80
Fundo 104%  R$ 72.340,49  R$ 54.094,53
VGBL 104%  R$ 72.340,49  R$ 66.106,44

Agora, o cenário mais importante da nossa vida e o que gera mais dúvidas: a nossa aposentadoria. E o grande vencedor, saindo das ultimas colocações nas ultimas simulações é o VGBL, superando inclusive o CDB que paga uma taxa muito mais alta. E isso não deveria ser surpresa para ninguém. Afinal, é para isso que a previdência privada foi criada, para ajudar na aposentadoria. Sendo um péssimo investimento no curto prazo e ótimo no longo prazo. Nesses vinte anos de aplicação o seus CDBs e os Títulos do Tesouro venceram e tiveram que ser reaplicados pelo menos 4x pagando imposto e diminuindo montante investido em cada reaplicação. O fundo de renda fixa vem pagando imposto semestralmente por conta do come-cotas e a LCA, no longo prazo, vê sua vantagem tributária ser suprimida pela baixa taxa.

Concluímos então que:

LCAs e LCIs tendem a ser melhores no curtíssimo prazo devido à ausência de imposto de renda quando comparados com investimentos com IR regressivo.

CDBs são mais rentáveis no curto e médio prazo quando achamos boas taxas, porém para consegui-laso investidor tem que deixar o dinheiro preso por um longo tempo, o que não é confortável para a maioria.

A solução para quem quer bom rendimento e liquidez são os fundos de investimento em renda fixa. Ótimos para acumulação de curto e médio prazo, para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Já no longo prazo sofrem com o “come-cotas”.

Queridinho do momento, o tesouro Selic, devido ao vencimento curto, só é vantajoso para quem tem pouco capital e não consegue um bom fundo de investimento. Outros tipos de títulos do tesouro são mais complexos, dependem muito de influências externas e precisariam de um artigo a parte para serem explicados.

Planos de Previdência não são vantajosos no curto prazo, a não ser pelos benefícios sucessórios, porém muito melhores no longo.  As vantagens são inúmeras: o menor imposto de renda, o prazo praticamente ilimitado da aplicação, a possibilidade de serem portabilizados para outros fundos de previdência sem pagar imposto e a possibilidade de transmissão para dependentes sem inventario.

Além disso, no caso dos PGBLs, para quem declara IR na modalidade completa, esse resultado é ainda melhor devido ao desconto no imposto de renda. Mas muito cuidado para com dimensionamento correto dos PGBLs. Procure um profissional para ajudá-lo ou pode acabar pagando mais imposto do que deveria.

Infelizmente, as taxas abusivas de algumas instituições e a má informação de quando e como se deve ser usado cada tipo de aplicação tem levado muitas pessoas a tomaram decisões erradas e sujou o nome de alguns ativos, como fundos de previdência privada, por motivos equivocados.

Informe-se bem e procure sempre um profissional na hora de fazer seu planejamento financeiro e escolher seus investimentos. Pequenos detalhes hoje , podem fazer uma grande diferença no futuro!

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2 comments on “Afinal, qual é o melhor investimento de renda fixa?Add yours →

    1. Oi Cloe, o primeiro passo é ter os seus objetivos definidos. Para quem tem como objetivo a independência financeira, as previdências podem ser uma boa opção.

      Caso queira, agende uma orientação financeira gratuita conosco e conversamos melhor

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