Você se considera um bom investidor?

Um tipo de notícia bastante comum no mundo dos investimentos é aquela que diz respeito da classificação dos ditos melhores investimentos ou dos melhores investidores.

Acabamos tendo a impressão da existência de uma espécie de linha d’água que divide os bons dos maus investidores. Mas afinal de contas o que realmente faz alguém se denominar um “bom investidor”?

Antes de apresentar neste post aquelas características as quais considero realmente como sendo as mais adequadas a um “bom” investidor (apesar de não gostar desse tipo de classificação), gostaria de entrar mais no detalhe e apontar algumas das principais falácias de se classificar o próprio desempenho como bom ou ruim.

Partimos do seguinte problema: aqueles que se auto denominam como “bons” investidores em geral, tanto profissionais quanto amadores, são excessivamente autoconfiantes.

Um estudo de 2006 do pesquisador James Mortier confirma essa conclusão . Neste estudo foi comprovado que 74% dos 300 investidores profissionais entrevistados acreditavam ter obtido resultados acima do esperado.  Dos 26% restantes, grande parte acreditava que seu desempenho estava na média do mercado.

Ou seja, quase ninguém admitiu ou teve coragem de admitir que obtive um retorno abaixo da média, logo, todos eles não só se classificaram como, no mínimo, “bons” investidores, mas indo além, mais de três quartos deles se classificaram como “excelentes” investidores.

Alguns problemas advindos do excesso de confiança somados a auto denominação como melhores investidores são:

1) um investidor muito confiante tende a negociar muito frequentemente. Cego na sua crença de que pode absorver as informações antes de todos e de que consegue novas e melhores informações que os outros, ele acaba sendo menos paciente e promove o que chamamos de balanceamento ou giro dos ativos em uma frequência acima da média.

O grande problema implícito nesta estratégia é que muitas das informações que o “melhor” gestor acreditou estar antecipando já estão incorporadas ao preço.  Além disso, há os elevados custos de transação inerentes ao giro dos ativos. Consequência: rentabilidade muito aquém de um “bom” investidor.

2) o investidor autoconfiante costuma concentrar demais suas posições em poucos investimentos. No fim das contas, ele tem certeza absoluta de suas projeções e análises, logo, ele acaba ficando cego às possíveis adversidades e acaba apostando de forma exagerada na sua certeza.

3) o “bom” investidor acredita também que consegue mais do que os outros identificar os melhores gestores ativos, os mais competentes ou os mais promissores. Uma análise mais detalhada sobre esse comportamento mostra que se trata de uma estratégia muito arriscada. A maioria dos gestores com desempenhos passados excepcionais podem acabar tendo retornos negativos no futuro. Seguindo este comportamento, o “bom” investidor pode sim incorrer em grandes lucros, como também está igualmente suscetível a grandes prejuízos.

Apontadas as falácias comuns do “bom” investidor autoconfiante, cabe agora esclarecer quais são as principais dicas para não seguir esse caminho duvidoso e se tornar um investidor nem bom ou ruim, mas consciente.

1) Trace objetivos

Acreditamos que o investidor consciente não busca o retorno pelo retorno. O objetivo não é simplesmente bater em quantas vezes for possível um índice de referência ou benchmarkTenha sempre objetivos bem definidos, específicos, mensuráveis, com prazos adequados, realistas e atingíveis.

Tenha esses objetivos por escrito, preferencialmente, em um plano de ação bem estruturado, definindo qual o retorno esperado para o alcance desses mesmos objetivos.

2) Aumente seu conhecimento

Não deixe de entender onde realmente está seu dinheiro e como ele está sendo utilizado. Um investidor consciente sempre busca entender as posições de seus fundos, pesquisa minimamente sobre as companhias que comprou ações ou dívidas, bem como a estratégia e a filosofia destas.

Caso não tenha tempo ou não tenha aptidão para temas mais difíceis sobre seus investimentos, terceirize o conhecimento contratando um planejador financeiro pessoal. Tenho certeza que esse profissional irá deixar você a par de todos os seus investimentos e te dará todas as informações necessárias para que você se sinta seguro.

3) Aprenda com seus próprios erros

Todos nós erramos ao longo do nosso caminho de acumulação, no entanto, a diferença é que o investidor consciente é capaz de entender e absorver seus próprios erros para que possa aprender com os mesmos e, consequentemente, consiga tomar decisões cada vez mais acertadas no futuro.

Não é preciso seguir as tendências ou o viés de um terceiro que te apresentou a “fórmula do sucesso”, seja autocrítico e você já terá dado um passo e tanto no caminho para se tornar um investidor mais consciente.

Uma sugestão é anotar em um único local os motivos pelos quais fez cada investimento, qual o resultado pretendido, qual o resultado obtido, o que você acredita que deu certo, o que deu errado, o que foi fruto da sorte e como se sentiu durante todo esse processo. Aplicativos como o Evernote podem te ajudar nisso.

4) Conheça os possíveis riscos aos quais você está vulnerável

Investidores conscientes tem plena noção dos riscos inerentes de seus investimentos. Eles, acima de tudo, entendem seu plano de ação e conhecem os retornos esperados de suas aplicações bem como o risco necessário para alcança-los.

Conhecer seus riscos demostra maturidade em relação às adversidades que podem surgir por conta da autoconfiança exacerbada.

5) Seja paciente

Na maioria das vezes o investidor consciente gera riqueza ao longo do tempo por conta de sua paciência.

Este é um atributo importantíssimo, pois, diz respeito à capacidade de ter resiliência nos momentos de tragédia ou de euforia. Significa saber desconfiar durante as tendências de compra ou venda e manter o controle emocional acima de qualquer promessa de retorno extraordinário.

Em resumo, o bom investidor, ou melhor dizendo, o investidor consciente acredita na capacidade de realização dos objetivos formalizados em seu plano de ação, tem conhecimento a respeito de como e onde seu patrimônio está alocado, aprende com seus próprios erros e conhece os riscos  aos quais está suscetível tendo sempre a paciência como sua principal qualidade.

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