Banco ou corretora? Qual é o melhor para investir?

Um caminho natural de qualquer investidor que tome gosto pelo ato de poupar ou de aplicar suas sobras mensais é o de questionar ou ao menos analisar com mais cuidado as rentabilidades apresentadas pelos ativos nos quais seu patrimônio está aplicado.

Esse hábito acaba fazendo parte do exercício de investir.1313/

Nessa mesma caminhada da análise de desempenho dos produtos financeiros acabamos encontrando diferentes meios para investir além do nosso banco de relacionamento, como gestoras independentes ou corretoras de valores.

Comparando a rentabilidade entre produtos de estratégia de investimento similares, principalmente, entre os fundos de investimento oferecidos pelos bancos comerciais e os oferecidos por diversas gestoras independentes nas plataformas das corretoras, notamos que no fim do dia aqueles produtos das plataformas das corretoras acabam tendo um desempenho melhor.

Feita essa análise simples, certamente, ficamos mais tentados a investir nas corretoras, pois nosso dinheiro pode render mais com o mesmo risco dos grandes bancos.

Afinal de contas, vale a pena trocar meus principais investimentos, que estão no meu antigo e sólido banco de relacionamento, por ativos negociados em uma corretora de valores que mal conheço? Para responder a essa pergunta peço que me acompanhe nesse post.

Se você, leitor, é correntista de um dos grandes bancos brasileiros e possui a totalidade de seus investimentos financeiros ligadas, direta ou indiretamente, a essas instituições e acredita que elas oferecem uma boa variedade de produtos financeiros, saiba que você não está sozinho.

Para termos uma ideia, no Brasil, 85% dos investidores que investem em fundos de investimentos, fazem isso via fundos de instituições bancárias! Já nos Estados Unidos essa fração é totalmente inversa, 85% dos investidores investem em fundos de gestoras independentes, aqueles distribuídos pelas corretoras.

Partindo desse ponto, concluímos que muitos de nós desconhecemos como funcionam as plataformas de investimento de corretoras e suas possíveis vantagens. Isso se deve ao simples fato da imensa maioria de nós investimos exclusivamente por meio dos bancos.

Apresentados os dados acima, você deve estar se perguntando: já que os bancos concentram grande parte do patrimônio dos investidores e oferecem uma gama de produtos similares aos oferecidos pelas corretoras, por que devo considerar a ideia de investir por meio de uma corretora?

Apresentaremos abaixo alguns dos principais motivos que podem fazer com que você diminua um pouco seu receio de investir na corretora:

1) Maior oferta de produtos

Por terem maior liberdade e menor conflito de interesse, as corretoras independentes normalmente oferecem aplicações mais abrangentes distribuindo produtos de várias instituições financeiras, como os próprios bancos e diversas gestoras de investimento.

2) Comodidade dos bancos x Atratividade das corretoras

Os grandes bancos se aproveitam da situação de ter uma quantidade muito maior de clientes em relação às corretoras independentes e do fato da maioria desses clientes sentirem comodidade em relação à rotina de se investir dentro do próprio banco.

No fim das contas, os bancos acabam se aproveitando dessa comodidade de milhões de clientes que não buscam outras alternativas para investir e acabam não sentindo a necessidade de ampliar sua gama de produtos para atrair ou manter seus investidores.

Por isso que muitas vezes, enquanto as corretoras tentam chamar a atenção de novos investidores oferecendo aplicações com rentabilidades mais atrativas, os bancos, por ganharem em volume, acabam preferindo cobrar mais dos clientes mais cômodos.

3)  Restrições de entrada nos melhores produtos  e taxas mais altas nos produtos mais baratos

Mas como os bancos acabam cobrando mais dos clientes mais cômodos?

Uma prática comum entre os bancos é cobrar mínimos de aportes iniciais muito elevados em produtos sobre os quais incidem taxas mais baixas e, consequentemente, apresentam melhores rentabilidades no longo prazo.

Um produto que pode exemplificar bem essa prática são os Fundos de Renda Fixa Referenciados DI. Considerados aplicações de baixo risco por serem constituídos basicamente por títulos públicos pós-fixados. Para você ter uma ideia de como isso funciona, nas corretoras independentes você encontra fundos desta categoria, que cobram 0,5% ao ano, por um aporte mínimo de R$ 5.000,00. Já em grandes bancos, para conseguir uma taxa tão baixa, você precisaria de, pelo menos, R$ 200.000,00 de capital inicial.

Seguindo o mesmo raciocínio, fundos de investimento com entradas mais baixas nos bancos cobram uma taxa de administração bem mais elevada do que os fundos oferecidos nas plataformas das corretoras, com a diferença de que esses últimos cobram uma taxa bem mais justa pela administração de ativos que exigem baixa complexidade em termos de estratégia de gestão.

Ou seja, clientes convencionais, que não possuem muito capital para investir podem ter acesso apenas a produtos com retornos inferiores à média do mercado caso escolham investir por meio dos bancos.

4) Risco institucional da corretora

Do ponto de vista institucional, não há muita diferença entre investir através dos bancos ou através das plataformas das corretoras. Em um cenário catastrófico de quebra da corretora, o sistema financeiro tem diversos procedimentos de defesa que visam proteger o investidor final. As corretoras, nada mais são do que distribuidores de produto, isto é são apenas um canal pelo qual você acessa os investimentos. Cada investimento, por sua vez, possui regras de segurança para garantir que o investidor não seja prejudicado no caso de problemas com as empresas que administram estes investimentos.

Fundos de investimento, por exemplo, tem seus recursos bem separados das instituições que os administram ou fazem sua gestão, é o que chamamos de chinese wall. Em caso de falência do gestor os ativos dos fundos são passados a um novo gestor decidido em assembleia de cotistas.

Além disso, existem outros ativos privados como CDBs, LCAs e LCIs, por exemplo, que são cobertos até o valor de R$ 250.000,00 investidos em caso de falência do grupo econômico emissor, sejam eles comprados diretamente do banco ou via corretora. Ou seja, o risco está na instituição que emite o título e não na corretora, que faz apenas a distribuição.

Outro exemplo são as ações e fundos imobiliários. Estes títulos ficam sob a custódia da CBLC, empresa que pertence ao grupo BM&F Bovespa. Em caso de problemas ou descontinuidade das atividades de sua corretora, você pode solicitar a migração destes ativos para outra instituição sem nenhum prejuízo financeiro.

Por fim, caso após a leitura dos pontos apresentados acima você se sinta mais convencido e confiante em diversificar seu dinheiro para além do seu banco de relacionamento, recomendamos que faça isso aos poucos, com calma, para justamente ir se acostumando com a dinâmica de se investir em uma plataforma de investimentos.

Muitos advogam por aí que você deve transferir todo seu patrimônio para corretora imediatamente, pois está perdendo dinheiro no banco agora. Fique calmo! Se eduque do ponto de vista financeiro primeiro.

Com disciplina, acompanhamento profissional de um planejador financeiro e paciência, eu tenho certeza que você alcançará seus objetivos, seja poupando via banco ou via corretora.

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