Vale a pena resgatar o meu FGTS?

O Governo Federal anunciou recentemente uma medida provisória (MP 763/16) visando incentivar a economia nacional, a partir de agora os trabalhadores brasileiros poderão, a partir do dia dez de março de 2017, sacar todo dinheiro disponível em suas contas do FGTS que estavam inativas até o dia 31/12/2015.

A princípio o Planalto espera que os brasileiros consumam mais com esses recursos à disposição, incentivando toda a cadeia econômica de forma indireta.

Isso significa que aqueles recursos que você não poderia resgatar do seu antigo emprego, agora estão disponíveis para você utilizar como bem entender.

Para entender melhor esse benefício e saber se você está elegível para recebê-lo acesse o endereço deste link. Lá você encontrará todas as informações necessárias para efetivar o saque dos seus recursos.

O comportamento dito natural, ou seja, a primeira reação de um indivíduo ao saber que possui direito a receber algum recurso o qual não estava esperando é justamente aquilo que o governo tanto deseja: GASTAR!

Mas, você, como um leitor assíduo do nosso blog e extremamente atento aos seus investimentos deve estar se perguntando: será que realmente devo gastar esses recursos? Será que mantenho meu saldo inativo aplicado no FGTS? Já que lá ele possui um rendimento “garantido” e é um fundo do governo, por tanto, um investimento mais “seguro”. Será que devo considerar outras opções de investimento?

Este post tem o objetivo de ajudar você a responder essas principais perguntas postas acima. Assim, você tomará a decisão com a qual você se sinta mais confortável.

O que é o FGTS? Como funciona seu rendimento? Devo manter meus recursos inativos lá?

Bom, vamos começar entendendo do que se trata o FGTS.

O FGTS ou Fundo de Garantia por Tempo de Serviço tem origens em meados da década de 60 e possui um objetivo nobre, ele visa proteger o trabalhador formal, ou seja, aquele regido pela CLT, que é demitido sem justa causa. O fundo, que é gerenciado pela Caixa Econômica Federal, é constituído de contas vinculadas, abertas em nome de cada trabalhador, quando o empregador efetua o primeiro depósito. O saldo da conta vinculada é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo empregador (equivalente a 8% do salário bruto do empregado), acrescidos de atualização monetária e juros auferidos de investimentos feitos pela Caixa.

Agora que você entende superficialmente do que se trata o FGTS (para mais detalhes: http://www.fgts.gov.br/trabalhador/) é interessante também você entender um pouco sobre a forma como são computados esses juros na sua conta a partir dos investimentos da Caixa Econômica. Digamos que esses retornos são divididos entre o governo e o trabalhador, o primeiro possui um retorno variável, já o segundo possui um retorno fixo limitado a 3,0% ao ano mais a Taxa Referencial, a TR, definida pelo próprio governo. Em 2016 o valor dessa taxa foi o equivalente a 2,0% ao ano. Logo, um recurso aplicado no FGTS gerou como retorno nominal anual ao trabalhador algo na casa de 5%, parece pouco não é mesmo? Pois é muito pouco realmente, o que nos leva a próxima pergunta, que por sinal é a pergunta que motivou a criação deste post.

Afinal, vale a pena manter meu saldo inativo investido no FGTS? Nossa resposta é um sonoro e categórico: NÃO! A razão para essa reposta pode ser entendida por meio de uma simples análise retrospectiva. Voltando às premissas do final do parágrafo anterior, supondo que você tenha trabalhado sob o regime CLT ano passado, se levarmos em conta o retorno do FGTS de 2016, você teria algo aproximado de 5% anual em ganhos NOMINAIS. Se levarmos em conta  inflação de 2016 medida pelo IPCA, tivemos um aumento médio dos preços de 6,3% ao ano, logo, você obteve uma prejuízo REAL de 1,3%.

O fator limitante de rentabilidade do FGTS dificulta e muito a recomendação de se manter esse dinheiro, agora disponível, no fundo de garantia federal. Se analisarmos de 2001 a 2016, ou seja, em uma janela de 16 anos, você verá que os rendimentos dos recursos aplicados no FGTS superaram a inflação em apenas dois anos: 2005 e 2006 (vide gráfico abaixo). Logo, os recursos dos trabalhadores perderam poder de compra aplicados no FGTS praticamente todos os anos.

Com esse argumento em mãos, sugiro que não perca tempo e resgate seus recursos inativos do FGTS assim que for possível.

Apesar da segurança e do rendimento garantido, a limitação de rentabilidade diminui a vantagem de segurança do FGTS vis-à-vis o prejuízo financeiro, além disso, existem outros ativos tão seguros quanto o FGTS que possuem rentabilidade muito mais atrativa.

Sabendo das desvantagens do FGTS, o que devo fazer com os recursos resgatados?

Agora que você conhece os motivos para resgatar seus recursos inativos do FGTS, o que fazer com esta renda extra? Tenho duas recomendações bem simples. Em primeiro lugar, se você possuir dívidas ou obrigações financeiras, se livre delas agora, antes de pensar em gastar mais hoje se lembre dos gastos de ontem.

Em segundo lugar, acredito que esses recursos são um excelente motivo para você iniciar sua educação financeira caso você ainda não tenha começado. É uma boa oportunidade de começar a pensar no futuro do seu patrimônio. Você tem a chance de cuidar bem do seu dinheiro, enfim, é um ótimo motivo para você começar a se planejar!  Saiba como através do e-book “Como fazer um Planejamento Financeiro em 5 Passos”.

Espero que agora você esteja mais esclarecido sobre esse assunto e possa investir com consciência seus recursos.

2 comments on “Vale a pena resgatar o meu FGTS?Add yours →

  1. EXCELENTE IMAIL , PRETENDO INVESTIR MEU DINHEIRO EM TÍTULOS DO TESOURO !

    GOSTARIA DE AGENDAR UMA CONSULTA , PODERIAM PASSAR O NUMERO DE VOCÊS OU MARCAMOS O DIA POR IMAIL !

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