O que os seus investimentos e a sua viagem de avião possuem em comum

Apertem os cintos! A turbulência parou!

Cena quotidiana para quem viaja de avião: o piloto aciona as luzes de apertar os cintos, todos obedecem. Pouco depois, o avião balança um pouco. Às vezes, o movimento se intensifica e, normalmente, as coisas vão se acalmando. Passam-se alguns segundos e a turbulência cessa, mas o sinal de atar os cintos continua lá e o avião continua em meio às nuvens pesadas. Mais alguns minutos e alguns passageiros começam a se levantar quando, prontamente, o comissário avisa em tom enérgico: “Senhores passageiros, mantenham os cintos afivelados, continuamos sobrevoando uma área de turbulência! ”. Alguns insistem em ficar em pé ou ir aos lavatórios, afinal, eles sabem que estas turbulências são inofensivas e o piloto deve ter esquecido de desligar o aviso luminoso, pois, claramente, a turbulência já acabou. Então, isso acontece:

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Um caso ainda mais raro e inusitado são as turbulências de ar claro. Tudo parece em ordem, nenhuma tempestade à vista e, de repente, uma turbulência fortíssima. Estas costumam ter ainda mais vítimas, pois, quem é mesmo que se lembra da recomendação de manter os cintos afivelados durante todo o período em que estiver sentado, não é mesmo?

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Mas o que estes incidentes têm a ver com suas finanças e seus investimentos? Muito mais do que você imagina. Assim como nos relatos acima, a ausência de “turbulência” em seus investimentos ou volatilidade, em termos mais técnico, não significa que seu investimento é à prova de oscilações.

Turbulência de Ar Claro

Assim como nos casos de turbulência de ar claro, você pode estar investido em um fundo ou título aparentemente tranquilo, que raramente oscila ou, mais ainda, nunca apresentou rentabilidade negativa e, de repente, sem avisos, ela aparece. Veja os gráficos a seguir, investimentos tranquilos na maior parte do tempo se analisarmos apenas o comportamento de preço, porém com momentos de quedas inesperadas, pelo menos, para aqueles que analisam apenas o comportamento passado de preços ou quotas.

Estes exemplos nos mostram o comportamento de dois fundos de Crédito Privado. Não vamos revelar quais são estes fundos. Ambos são fundos de grandes e conceituadas gestoras. O objetivo aqui é mostrar o risco de se investir olhando apenas para o passado e não tomar cuidado com os verdadeiros riscos inerentes do produto. Falamos sobre isso em um relatório anterior.

Percebam que os fundos vinham desempenhando bem, acima do CDI e, então, sofreram defaults em suas carteiras e as cotas foram afetadas. Risco totalmente aceitável para fundos de crédito privado. Porém, aquele investidor conservador, que desconhecia este risco e olhou apenas para a rentabilidade passada, pode ter sido o passageiro que caiu no chão durante a turbulência. Este investimento, pode até não o machucar severamente ou mata-lo, mas pode deixa-lo com medo de voar, com medo de fazer novos investimentos no futuro. Basta ter colocado uma grande parcela de seu patrimônio, no momento errado, no local errado, apenas por conta de ganhos passados consistentes.

Levantando com o sinal luminoso aceso

Este caso é mais grave, você pode ser o passageiro que bate a cabeça no teto e se machuca severamente. Você pode até sofrer algum dano permanente em seu patrimônio.

Esta situação é muito comum em momento de euforia no mercado. O investidor, tomado por uma onda de otimismo, não quer ficar de fora das altas da bolsa. Todos seus amigos estão ganhando dinheiro e ele não. No Jornal Nacional, máximas históricas atrás de máximas históricas são noticiadas. A bolsa é a capa de todas as revistas. Logo, começa a investir com pouco, ganha dinheiro. Faz as contas e vê que se tivesse investido mais teria ganho mais. Estamos em abril de 2008.

Outra forma muito comum de se passar por isso é investir nos fundos que mais renderam no último ano. Por mais que diversas pesquisas mostram que está é umas das piores estratégias de investimentos, continuamos a nos deparar diariamente com investidores nesta situação. Aqui um exemplo bem ilustrativo disso.

Conclusão

Investimentos que, durante muito tempo se comportaram bem sob uma ótica de pouca volatilidade ou pouca oscilação, podem apresentar comportamento diferente no futuro. Não é porque algo apresentou um comportamento específico por um longo período que aquilo se manterá indefinidamente.

Lembre-se sempre de conhecer o produto que está investindo, seus riscos inerentes e não apenas seu gráfico de retorno histórico. Se esta não for sua praia delegue esta função para alguém de sua confiança. Importante! Não estou afirmando que profissionais são infalíveis e nunca te indicarão investimentos com estas características, nem muito menos afirmando que nós não indicamos estes investimentos para nenhum de nossos clientes, pelo contrário, tratam-se de casos reais.

O importante nestas situações foi ter feito tais indicações para clientes que possuíam perfil para tais investimentos e, talvez mais importante ainda, ter indicado que apenas uma parcela de seus patrimônios fosse investida ali. Desta forma, estas eventuais oscilações não foram grandes solavancos, apenas um percalço esperado na vida de todo investidor.

Da mesma forma que as turbulências são esperadas por quem viaja de avião, a volatilidade é esperada no mundo dos investimentos. Sabendo se proteger, obedecendo regras mínimas e estando atento à necessidade de eventuais mudanças de rota tudo sairá bem. Nunca esqueça: ausência de volatilidade, não significa ausência de risco.

Leia os posts abaixo entender mais sobre a variação de produtos no mercado:

4 pontos para saber antes de investir em um Fundo Crédito Privado
Como funciona uma Previdência Privada
E-book: Manual dos Títulos do Tesouro

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